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Histórias de pessoas para pessoas
segunda-feira, 20 de maio de 2013

O Ser que Veio do Além- Parte 6

segunda-feira, maio 20, 2013




Jennir o ser que veio do planeta Luzze   e que resolveu me seleccionar para que um dia eu pudesse habitar este novo planeta, tinha acabado de me mostrar que a sua tecnologia, estava muito mais avançada em relação ao planeta Terra. O famoso chip que coloquei no meu pulso e que, segundo ele, dava poderes que eram impossíveis de realizar pelos humanos. Estava desejando fazer o teste ao invento. Foi então que Jennir me disse:
_ Antes de te ensinar como usar o chip, vou contar-te como algumas pessoas deste planeta são tão falsas. Nomeadamente as que te são mais queridas e as que te são mais chegadas. 
_ Como assim?_ perguntei eu curioso
_ Lembras-te do teu amigo Lourenço na noite em que vocês andavam a tirar o lixo de um lado e a colocarem no outro, que havia uma mala com dinheiro debaixo do contentor do lixo?
_ Sim.Depois ele foi lá sozinho verificar o que tinha. Pelo que disse, no muro do cemitério tem uma pedra a tapar o dito buraco.
_ Vamos lá testar o se o teu chip funciona perfeitamente. Vais pensar nessa noite e vais desejar estar lá, para ver o que aconteceu. Quando fizeres isso, pensa em levares aqui o teu novo amigo que é para me tele-transportar ao passado contigo.
Pensei então na noite em que desde o suporte traseiro do camião, quando já tínhamos depositado o contentor do lixo no seu lugar, Lourenço me falou da mala. Vi - me a mim e a ele, como se as coisas estivessem a acontecer naquele momento. Ao meu lado estava Jennir e eu, como se fosse uma outra pessoa diferente, vendo-me a mim mesmo.
_ Agora vamos ver ele a colocar a mala no dito buraco. Até aqui tudo verdade. Agora repara no telefonema que ele faz ,como se estivesse a saber da mãe no hospital , que segundo ele foi internada com uma forte anemia. Primeira mentira. Ele está a falar com alguém ligado à mala com o dinheiro. Ou seja, ele sabia da existência dessa mala.
_ Sabia?! Mas que intenção tinha ele quando me pediu para vir buscar essa mala?
_ Estás preparado para receber toda a verdade? É que vocês humanos com estas coisas são muito «piegas» e sofrem por tudo e por nada.
_ Manda as notícias todas que eu já estou por tudo. Não sabia que sabias o «calão» português.
_Vamos adiante que se faz tarde. Bem... o que o teu amigo queria mesmo é que a vossa polícia judiciária te apanhasse novamente, para voltares a ser preso e desta vez não era em casa, era mesmo na cadeia. Quando ele telefonou, foi a pedir ao chefe da organização, se era possível fazeres essa recolha, sendo que eles depois mudariam o local da entrega da mala. O teu amigo está metido numa organização de passagem de dinheiro sujo, que passa por todo o país através de vários correios até chegar a umas ilhas para depósitos em contas que vós chamais offshore. Alguém transporta o dinheiro do norte e o entrega aqui no cemitério. Daqui é levado para o Algarve pelo Lourenço e…Preparado para outra surpresa?
_ Grande amigo sim senhor…mas qual era o interesse em meter-me na prisão?
_ O interesse já vais saber agora mesmo. Agora sou eu que vou levar-te ao passado. Naquela manhã em que vieste ver o que continha e mala e ela desapareceu, foi o Lourenço que a veio buscar. O chefe da organização da lavagem do dinheiro, proibiu que tu conhecesses este negócio que eles já fazem há muito tempo.
 Jennir levou Ricardo ao sítio que ele nunca imaginou ser possível.
_ Mas aqui é a casa de Liliana a minha antiga namorada.
_ Sim e à mesma hora em que Lourenço foi buscar o dinheiro, ela está com outro na cama. Olha para ali na cama dela quem está a dormir ao seu lado.
Passaram pelas paredes da casa de Liliana até ao seu quarto. Na cama estava Liliana com um homem ao lado desta a dormir. Ambos estavam num sono profundo.
_ Então mas este é o Lourenço. Disse eu sabendo que não podiam ouvir as nossas vozes.
_ Enganas-te Ricardo. Este é David o irmão igual ao Lourenço. Como chamais vós aqui a pessoas iguais?
_ Gémeos?! Então o Lourenço tem um irmão gémeo? Mas como é que a Liliana aceita dormir com dois irmãos?
_ Porque na verdade ela não sabe. Ela pensa que se trata do Lourenço.
_ Ah! Que filho da…isso…mas como é que ela não os reconhece?
_ Como vai reconhecer se tu próprio não o conseguiste fazer. Eles são iguais. Mesma aparência, mesma voz, mesma forma de vestir. Tudo igual. Só nos dentes molares há uma diferença. Um tem um dente podre e o outro não. Muitas vezes a Liliana pergunta porque é que o Lourenço tem mau hálito.
_ Quer dizer que Lourenço engana toda a gente.
_ Sim.Muitas vezes quem ia trabalhar junto contigo era o David e não o Lourenço. Sempre desde pequenos eles enganaram todas as pessoas, desde professores, amigos e até a tua Liliana que perdeste para entregar a estes dois irmãos.
_ Mas ela espera um filho dele. Quem será então o pai? O David ou o Lourenço?
_ Penso Ricardo, que nem eles próprios sabem.
Entretanto nesse momento o David, virou-se e soltou um «gaz» para não dizer« peido»( peço desculpa).
_ Que foi este barulho? Perguntou Jennir. Que cheiro ele deita! O rapaz está podre?
_ «Fonix» este também se« caga» como o irmão à força toda. O que a pobre Liliana tem de suportar.
_ Já sei. «fonix» é um estado deprimente de que alguma coisa boa está a acabar.
_ Não jennir. É um estado deprimente de que temos de «basar» daqui para fora, porque senão com este cheiro ainda ficamos doentes. Coitada da Liliana onde ela está metida.
Ricardo e Jennir voltaram à realidade da noite, em que estavam ambos no cemitério. Voltar ao passado não era de todo muitas vezes agradável e aquela foi uma visão do passado, horrível para mim.
_ Agora Ricardo vais ver o que podes fazer com esse chip. Olha mais ao longe e vê quem se dirige para aqui agora mesmo. O carro que estás a ver ao longe é o do Lourenço ,que vem buscar a mala com o dinheiro, que o outro homem deixou ali no tal buraco do muro do cemitério. Sei o que estás a pensar fazer, mas não impeças ele de levar a mala. Vou a Luzze agora resolver uma coisa, porque eu não quero assistir, ao que pensas fazer ao teu antigo amigo.
_ Mestre Jennir. Só esta vez…deixe lá.
_ Está bem. Desta vez vou fazer vista «gorda» porque ele merece. Mas não exageres. Vou a Luzze e já volto. Não abuses dos poderes que te dei.
_ Sim amigo Jennir. Eu não o mato.
Jennir desapareceu como por enquanto. Vi o carro do Lourenço parar na estrada de Estremoz, do lado oposto do cemitério. Saltou a vedação do mesmo e veio através das campas dos defuntos, sempre dentro do cemitério. Com a minha visão de grande potência, agora eu  conseguia ver tudo, como se ele estivesse ali mesmo junto de mim. Aquele patife tinha-me estragado a vida, queria meter-me na prisão e tudo, para me poder roubar a minha Liliana que eu amava tanto. Agora ele ia ver como se fazia justiça, de um modo tão avançado. Ele e o maninho gémeo que era igual a ele. Pensar que tinha andado a trabalhar com dois irmãos em vez de só com Lourenço, deixava-me completamente louco. Por isso ele nunca estava cansado. Pudera, dividia o trabalho com o irmão. Assim também eu. Mas como tinha ele conhecido a Liliana? Esquecera -me de perguntar a Jennir. Mas espera… eu ainda tinha tempo de ver isso, antes de Lourenço chegar à mala com o dinheiro. Um minuto seria suficiente, para eu voltar ao passado e verificar como tinha ele chegado perto de LIliana. Isto de brincar ao futuro tem as suas coisas divertidas. Consegue-se saber tudo o que se quer. Estava tão curioso como vocês estão, mas para não se queixarem que as partes da história são grandes, deixamos para a próxima jornada.


 Autor: Manuel Maia