Jennir o ser que veio do planeta Luzze e que resolveu me seleccionar para que um dia
eu pudesse habitar este novo planeta, tinha acabado de me mostrar que a sua
tecnologia, estava muito mais avançada em relação ao planeta Terra. O famoso
chip que coloquei no meu pulso e que, segundo ele, dava poderes que eram
impossíveis de realizar pelos humanos. Estava desejando fazer o teste ao
invento. Foi então que Jennir me disse:
_ Antes de te ensinar como usar o chip, vou contar-te como
algumas pessoas deste planeta são tão falsas. Nomeadamente as que te são mais
queridas e as que te são mais chegadas.
_ Como assim?_ perguntei eu curioso
_ Lembras-te do teu amigo Lourenço na noite em que vocês
andavam a tirar o lixo de um lado e a colocarem no outro, que havia uma mala
com dinheiro debaixo do contentor do lixo?
_ Sim.Depois ele foi lá sozinho verificar o que tinha.
Pelo que disse, no muro do cemitério tem uma pedra a tapar o
dito buraco.
_ Vamos lá testar o se o teu chip funciona perfeitamente.
Vais pensar nessa noite e vais desejar estar lá, para ver o que aconteceu.
Quando fizeres isso, pensa em levares aqui o teu novo amigo que é para me tele-transportar ao passado contigo.
Pensei então na noite em que desde o suporte traseiro do
camião, quando já tínhamos depositado o contentor do lixo no seu lugar,
Lourenço me falou da mala. Vi - me a mim e a ele, como se as coisas estivessem a
acontecer naquele momento. Ao meu lado estava Jennir e eu, como se fosse uma
outra pessoa diferente, vendo-me a mim mesmo.
_ Agora vamos ver ele a colocar a mala no dito buraco. Até
aqui tudo verdade. Agora repara no telefonema que ele faz ,como se estivesse a
saber da mãe no hospital , que segundo ele foi internada com uma forte anemia.
Primeira mentira. Ele está a falar com alguém ligado à mala com o dinheiro. Ou
seja, ele sabia da existência dessa mala.
_ Sabia?! Mas que intenção tinha ele quando me pediu para
vir buscar essa mala?
_ Estás preparado para receber toda a verdade? É que vocês
humanos com estas coisas são muito «piegas» e sofrem por tudo e por nada.
_ Manda as notícias todas que eu já estou por tudo. Não
sabia que sabias o «calão» português.
_Vamos adiante que se faz tarde. Bem... o que o teu amigo
queria mesmo é que a vossa polícia judiciária te apanhasse novamente, para
voltares a ser preso e desta vez não era em casa, era mesmo na cadeia.
Quando ele telefonou, foi a pedir ao chefe da organização, se era possível
fazeres essa recolha, sendo que eles depois mudariam o local da entrega da mala. O teu amigo está metido numa
organização de passagem de dinheiro sujo, que passa por todo o país através de
vários correios até chegar a umas ilhas para depósitos em contas que vós
chamais offshore. Alguém transporta o dinheiro do norte e o entrega aqui no cemitério.
Daqui é levado para o Algarve pelo Lourenço e…Preparado para outra surpresa?
_ Grande amigo sim senhor…mas qual era o interesse em
meter-me na prisão?
_ O interesse já vais saber agora mesmo. Agora sou eu que
vou levar-te ao passado. Naquela manhã em que vieste ver o que continha e mala
e ela desapareceu, foi o Lourenço que a veio buscar. O chefe da organização da
lavagem do dinheiro, proibiu que tu conhecesses este negócio que eles já fazem
há muito tempo.
Jennir levou Ricardo
ao sítio que ele nunca imaginou ser possível.
_ Mas aqui é a casa de Liliana a minha antiga namorada.
_ Sim e à mesma hora em que Lourenço foi buscar o dinheiro, ela está com outro na cama. Olha para ali na cama dela quem está a dormir ao
seu lado.
Passaram pelas paredes da casa de Liliana até ao seu quarto.
Na cama estava Liliana com um homem ao lado desta a dormir. Ambos estavam num
sono profundo.
_ Então mas este é o Lourenço. Disse eu sabendo que não
podiam ouvir as nossas vozes.
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_ Enganas-te Ricardo. Este é David o irmão igual ao
Lourenço. Como chamais vós aqui a pessoas iguais?
_ Gémeos?! Então o Lourenço tem um irmão gémeo? Mas como é
que a Liliana aceita dormir com dois irmãos?
_ Porque na verdade ela não sabe. Ela pensa que se trata do
Lourenço.
_ Ah! Que filho da…isso…mas como é que ela não os reconhece?
_ Como vai reconhecer se tu próprio não o conseguiste fazer.
Eles são iguais. Mesma aparência, mesma voz, mesma forma de vestir. Tudo igual.
Só nos dentes molares há uma diferença. Um tem um dente podre e o outro não.
Muitas vezes a Liliana pergunta porque é que o Lourenço tem mau hálito.
_ Quer dizer que Lourenço engana toda a gente.
_ Sim.Muitas vezes quem ia trabalhar junto contigo era o
David e não o Lourenço. Sempre desde pequenos eles enganaram todas as pessoas, desde professores, amigos e até a tua Liliana que perdeste para entregar a
estes dois irmãos.
_ Mas ela espera um filho dele. Quem será então o pai? O
David ou o Lourenço?
_ Penso Ricardo, que nem eles próprios sabem.
Entretanto nesse momento o David, virou-se e soltou um «gaz» para não dizer« peido»( peço desculpa).
_ Que foi este barulho? Perguntou Jennir. Que cheiro ele
deita! O rapaz está podre?
_ «Fonix» este também se« caga» como o irmão à força toda. O
que a pobre Liliana tem de suportar.
_ Já sei. «fonix» é um estado deprimente de que alguma coisa boa
está a acabar.
_ Não jennir. É um estado deprimente de que temos de «basar»
daqui para fora, porque senão com este cheiro ainda ficamos doentes. Coitada da
Liliana onde ela está metida.
Ricardo e Jennir voltaram à realidade da noite, em que
estavam ambos no cemitério. Voltar ao passado não era de todo muitas vezes agradável
e aquela foi uma visão do passado, horrível para mim.
_ Agora Ricardo vais ver o que podes fazer com esse chip.
Olha mais ao longe e vê quem se dirige para aqui agora mesmo. O carro que estás
a ver ao longe é o do Lourenço ,que vem buscar a mala com o dinheiro, que o outro
homem deixou ali no tal buraco do muro do cemitério. Sei o que estás a pensar
fazer, mas não impeças ele de levar a mala. Vou a Luzze agora resolver uma
coisa, porque eu não quero assistir, ao que pensas fazer ao teu antigo amigo.
_ Mestre Jennir. Só esta vez…deixe lá.
_ Está bem. Desta vez vou fazer vista «gorda» porque ele
merece. Mas não exageres. Vou a Luzze e já volto. Não abuses dos poderes que te
dei.
_ Sim amigo Jennir. Eu não o mato.
Jennir desapareceu como por enquanto. Vi o carro do Lourenço
parar na estrada de Estremoz, do lado oposto do cemitério. Saltou a vedação do mesmo e veio através das campas dos defuntos, sempre dentro do cemitério.
Com a minha visão de grande potência, agora eu conseguia ver tudo, como se ele
estivesse ali mesmo junto de mim. Aquele patife tinha-me estragado a vida,
queria meter-me na prisão e tudo, para me poder roubar a minha Liliana que eu
amava tanto. Agora ele ia ver como se fazia justiça, de um modo tão avançado.
Ele e o maninho gémeo que era igual a ele. Pensar que tinha andado a trabalhar
com dois irmãos em vez de só com Lourenço, deixava-me completamente louco. Por isso ele
nunca estava cansado. Pudera, dividia o trabalho com o irmão. Assim também eu.
Mas como tinha ele conhecido a Liliana? Esquecera -me de perguntar a Jennir.
Mas espera… eu ainda tinha tempo de ver isso, antes de Lourenço chegar à mala
com o dinheiro. Um minuto seria suficiente, para eu voltar ao passado e verificar como tinha ele chegado perto de LIliana. Isto de brincar ao futuro tem as suas coisas divertidas. Consegue-se saber tudo o que se quer. Estava tão curioso como vocês estão, mas para não se
queixarem que as partes da história são grandes, deixamos para a próxima jornada.